Agora que os professores não estão fisicamente em contacto com os alunos, são, mais do que nunca, importantes as tarefas que lhes propomos. Seguem algumas recomendações a ter em conta na hora de pedir que os alunos desenvolvam atividades, que deverão estar devidamente enquadradas numa metodologia de ensino não presencial.
Tal como no Ensino Presencial deverá ser feita uma planificação que tem em conta: objetivos, conteúdos, estratégias, recursos (online e offline) e avaliação. O professor deverá ainda pensar que momentos da sua aula/unidade didática poderão/deverão ser síncronos ou assíncronos.
Planeamento
As tarefas devem fazer parte de um plano pensado a longo prazo. Assim teremos uma ideia (para diferentes cenários) do trabalho que vai ser pedido a cada aluno e para quando. Em conselho de turma, podem ser discutidas as tarefas para cada disciplina e elaboradas propostas conjuntas para várias disciplinas. Deve ter-se presente o seguinte: (i) muito provavelmente, não será possível cobrir todos os conteúdos; (ii) estudar é pesquisar; (iii) esta é uma altura ideal para trazer o mundo real para a sala de aula e cruzar conhecimentos de várias áreas e (iv) deve privilegiar-se o trabalho em pequenos grupos.
Objetivo(s)
O objetivo de cada tarefa e a finalidade com que é proposta devem ser claros. Podem ser propostas tarefas de consolidação ou de pesquisa, para uma ou várias áreas disciplinares que podem ou não ser tidas em conta para a avaliação formativa ou sumativa. Tudo isso deve estar claro para o aluno e sobretudo para o professor quando a tarefa for proposta.
Como fazer chegar a tarefa?
É importante, em cada escola, definir os meios de comunicação utilizados para fazer chegar as tarefas aos alunos. Será necessário prever, para cada grupo de alunos, uma modalidade de comunicação síncrona e outra assíncrona. Existem diversas ferramentas para comunicar em qualquer destas modalidades, mas é fundamental não dispersar os alunos e usar, sempre que possível, as mesmas ferramentas em várias situações (disciplinas, por exemplo). Embora as tarefas possam ser lançadas numa sessão síncrona, deverá existir um documento que a suporta (onde esteja clara a informação fundamental) o qual deve ficar disponível para consulta, de forma assíncrona, publicado no espaço da disciplina criado na plataforma adoptada pelo AE ou CT, por exemplo. Esse documento escrito deve ser o mais completo possível e seguir um modelo, de que falaremos mais abaixo. É fundamental que o enunciado da tarefa seja escrito numa linguagem que os alunos entendam, sem ser necessária a intervenção do professor. Preferencialmente, os professores devem trabalhar de modo colaborativo com os seus pares para preparar conjuntos de tarefas para os seus alunos, partilhando os seus enunciados e chegando a consenso sobre as propostas a enviar aos alunos.
Recursos
É preciso disponibilizar recursos de qualidade para desenvolver a tarefa. Devem ser específicos, evitando sugestões como “pesquisas na Internet”, por exemplo, indicando, em vez disso, os sites a serem consultados, os vídeos a serem vistos, os documentos a serem lidos, etc… assim como os guiões de pesquisa e visualização, se for o caso. Tenha em atenção que / se os alunos estão em condições de aceder aos recursos indicados.
Submissão de trabalhos
Como vão ser devolvidos os trabalhos ao(s) professor(es)? Deve evitar-se, tanto quanto possível, que os alunos enviem trabalhos para o e-mail do professor, tal como o contrário (o professor enviar respostas, em privado, para um aluno). As plataformas existentes têm ferramentas que promovem o envio organizado dos trabalhos, que podem ser vistos só pelo professor ou, caso seja desejável, por todos.
Retorno
Que retorno será dado aos alunos sobre a tarefa que desenvolveram? Este é um ponto a ter em atenção no momento de planeamento das tarefas, pois dar retorno a muitos alunos sobre um grande número de trabalhos pode tornar-se muito trabalhoso e moroso para o professor. Pode fazer sentido o retorno ser dado pelos pares. É também importante definir se a tarefa vai ser tida em conta na avaliação final dos alunos e com que peso.
Modelo gráfico
É importante a existência de um modelo gráfico a seguir nas várias tarefas do professor, conselho de turma. Neste modelo, para cada tarefa, devem ser indicadas informações como: (i) a data da proposta, (i) o tempo disponível para a realização, (iii) o objetivo da tarefa, (iii) os recursos necessários para elaborar a tarefa e (iv) o modo como o aluno devolve o produto esperado. Pode descarregar uma proposta de modelo em http://bit.ly/modelotarefa.
Menos é mais
Lembre-se de que não será, decerto, o único(a) professor a pedir tarefas ao aluno. Por outro lado, será mais difícil apoiar a sua execução na modalidade a distância. Tenha em atenção que os recursos têm que ser acessíveis aos alunos o que pode não ser fácil para todos eles. Não seja ambicioso demais. Os alunos estão a atravessar tempos desconhecidos e difíceis. É importante que a Escola permaneça ativa e a vida continue, mas, para muitos dos alunos, pode não ser fácil responder a todas as solicitações que lhe são feitas. Os professores devem monitorizar atentamente, até por se tratar de uma situação não presencial, o estado emocional dos seus alunos, assegurar a conexão e a interação com eles, dar-lhes tempo para se adaptarem a esta nova forma de comunicar, fazê-los sentirem-se confortáveis e seguros neste novo contexto. Com todas estas mudanças será muito difícil, ou até impossível, cumprir os mesmos objetivos que cumpriríamos se estivéssemos numa situação de ensino presencial. A educação a distância pode, em muitas situações, ser tão eficiente como a presencial mas não certamente em todas as idades, em todas as disciplinas, em todos os contextos.
Nota final
Neste período de transição é muitíssimo importante acompanhar o estado emocional dos alunos, tentando não os sobrecarregar com tarefas, sendo preferível que os professores, mais do que focarem-se em novos conteúdos, promovam sobretudo a consolidação de saberes e competências.
Este documento contou com as colaborações de:
João Torres e Miguel Figueiredo – CCTIC do Instituto Politécnico de Setúbal
Susana Senos e Maria José Loureiro – CCTIC da Universidade de Aveiro